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A coluna

POLITICAMENTE CORRETO



Gilberto de Sousa


Os experientes políticos das antigas eram unânimes em dizer que um gestor, por mais desgastado que seja, detém pelo menos 25% de uma fatia política dentro do seu contingente, inclusive para assegurar a transferência de votos. Os tempos mudaram, mas o pensamento central continua o mesmo. No entanto, no caso da transferência, há de se considerar o nome posto no tabuleiro para apreciação popular adicionado ao prestígio do chefe político e do seu poder de articulação.

Também se sabe que não há chapa imbatível, há favoritismo. E nesse contexto, quando o favoritismo é bem trabalhado e se depender das armas que precisam ser utilizadas para atingir o objetivo, entra até a imposição.

O presidente Lula escolheu a ministra Dilma Roussef, chefe da Casa Civil, para substituí-lo na Presidência. Mas ele já sacou que o “produto” não é bom politicamente, enquanto a oposição se organiza e avança com quadros considerados relativamente bem mais conectados, digamos assim.

É inegável que, a olho nu, o país vai bem, Lula tem aprovação destacada entre os presidentes anteriores, articulado internacionalmente e um “Pelé” no ramo assistencialista tão condenado pelo PT no passado. É tanto que, se o país melhorou, não havia necessidade de aumentar o programa Bolsa Família, uma vez que, com o estímulo inicial a que se proporia o projeto, muitas famílias já deveriam ter saído da linha de pobreza absoluta.

Mas se esse foi um ingrediente básico para que o presidente triunfasse para o segundo mandato, é sinal de que politicamente o instrumento funcionou bem e deverá funcionar ainda mais. Para carregar a ministra Dilma, Lula lançou o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, outra jogada de mestre que inclusive não tem sequer como ser atacado pela oposição.

Além de tudo isso, o passo seguro da articulação política presidencial é arrochar as administrações municipais e deixar os gestores engessados. Anuncia as tais verbas carimbadas, convênios mediante recursos advindos do Governo Federal, programas sociais por um lado, mas tira com a outra mão através da política de redução do FPM, entre a privação de outras receitas, para exatamente provocar as sucessivas corridas a Brasília.

Hoje à tarde, a Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte, representada por alguns prefeitos, estará com a bancada federal do Estado para formatar um grupo capaz de sensibilizar o presidente a assegurar uma espécie de compensação de perdas. É a volta do pires na mão, pois enquanto o Governo Federal cresce em popularidade, os prefeitos caminham para acentuarem a marca da incompetência.

No frigir dos ovos, Lula quer votos para Dilma ou para quem ele apoiar em caso de um Plano B para a Presidência. E naturalmente vai precisar do respaldo dos prefeitos. É o agir politicamente correto.


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Quem pensou que esse tempo havia passado se enganou. A afirmação se refere ao chamado "pires na mão", chavão muito usado antigamente pelos prefeitos em dificuldade que se largavam para Brasília a procura de ajuda para seus municípios. O que se houve falar é que na capital federal tem recursos sobrando e o que falta são os projetos. Mas, na prática, parece que a situação é outra, já que se aproxima mais uma campanha política e naturalmente esse arrocho não tem como refletir nesse contexto. A propósito, para hoje, está agendada uma reunião no Plenário 15 do Senado Federal, às 16 horas, com deputados e senadores do Estado e alguns prefeitos, quando o assunto em pauta é o mesmo de todas as marchas a Brasília: a ajuda aos municípios. E lá estão os gestores, de pires na mão. É osso.

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COMPENSAÇÃO

Ontem, o coordenador da bancada federal, deputado Fábio Faria informou que o encontro foi solicitado pelos prefeitos, que querem apoio da bancada federal potiguar para o repasse de recursos que compensem estas perdas, e também vão tratar do pagamento das emendas contratadas pela Caixa desde 2006 e ainda a complementação do Fundeb para o cumprimento do piso nacional do professor. Além do presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte, Benes Leocádio, cerca de dez prefeitos estarão presentes.


TRÂNSITO

Apesar da efetivação da municipalização das ações do trânsito na cidade, ainda se vê circulando pelo centro em horário não permitido, caminhões que infringem a velha lei ainda dos tempos do saudoso burgomestre Dix-huit Rosado. E pior é que a alta de estacionamento já é um problema adicionado ao crescente número de vendas pelas calçadas. É bom os amarelinhos se ligarem.


DIFÍCIL RETROCEDER

Pelos números de uma recente sondagem que circula pelos bastidores políticos, fica cada vez mais difícil para o presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria retroceder do projeto de sair candidato ao governo. Pelo contrário, há motivo de sobra para avançar. Anote aí.


ANTECIPAÇÃO

É tanto que o lançamento da pré-candidatura do vice-governador Iberê Ferreira de Souza deve ser mesmo antecipado. Na sua condição, não há também como recuar de entrar no páreo, principalmente porque ele entrará na campanha sendo o dono da caneta.


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