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Isso eu vi, isso eu vivi, isso me contaram...

"A MÚSICA QUE

MARCOU A MINHA VIDA"


Sebastião Almeida e a música marcante


Por: Gilberto de Sousa


Sebastião Almeida conta que depois de ter trabalhado como chefe de Gabinete do prefeito Dix-Huit Rosado, e por ter se aproximado dos seus filhos, com a confiança dos mesmos, recebeu o convite para assumir a direção da Rádio Tapuyo de Mossoró. Por não entender nada desse segmento, relutou muito junto a Naide Maria - filha do Dr. Dix-huit, para não assumir o cargo, mas os seus argumentos não a convenceram e ele acabou topando a parada.

Na época, a situação da rádio não era das melhores. A emissora passava por um descrédito muito grande em Mossoró e região. Não se sabia se por conta do Programa Passando a Limpo, de Mário Rosado, filho do prefeito que, para defender o pai atirava para todos os lados, ou se devido à programação, que também não era lá esse mel todo.

“Assumi a direção da rádio e a minha primeira providência foi trazê-la de volta para Centro da cidade (Cine Cid), já que ela estava onde está hoje, no Alto da Pelônia, agora como RPC. Terceirizei alguns horários e fui, assim, arranjando uma receita financeira, que mal dava para cobrir os gastos mensais de pessoal, água, luz e outras despesas. Aos domingos, a rádio saia do ar às 18h, isso porque não tinha ninguém para ocupar o horário. Depois, apareceu uma turma e comprou o horário das 18h às 20h, para fazer um programa de esportes. E, como ninguém mais apareceu para o domingo à noite, eu engoli corda de Canindé Alves - que além de um amigo é também um grande radialista, eu montei o meu programa "O som nosso de cada dia”, que ia ao ar das 20 às 22h, concorrendo, justamente, com Sílvio Santos no SBT e Pedro Bial na Globo”, conta.

E segue: “Empolgado com a audiência do programa, que após algumas semanas já contava com quatorze ouvintes - Papai, mamãe e meus doze irmãos, comecei a botar as unhas de fora no microfone e criei o quadro ‘A música da minha vida’ - que consistia em o ouvinte escrever para o programa e relatar uma história que tivesse acontecido com ele e que ao ouvir uma determinada música, o fizesse lembrar da história. Na noite em que o quadro foi lançado, eu devo ter falado umas 30 ou 40 vezes, pedindo para que o ouvinte escrevesse. Na segunda-feira, muito cedo, eu já estava ligando para a recepcionista da rádio, perguntando pelas cartas dos meus ouvintes. Sua resposta foi negativa, pois não havia chegado nenhuma carta. Ainda disse-lhe o seguinte: Vanderlania, quando as cartas forem chegando vá mandando pra minha loja, pois sei que vou ter muitas cartas para lê até domingo e eu preciso escolher a melhor e a mais bonita para o programa seguinte. A terça-feira chegou e com ela nenhuma carta. Nem quarta e nem na quinta, também chegou nada”.

Na sexta-feira, Sebastião Almeida amanheceu o dia na recepção da rádio. Esperou a recepcionista, que ao chegar foi logo dizendo que não havia nenhuma carta para o meu programa. Retornou um tanto quanto preocupado e já pensando numa saída honrosa, caso não chegasse nenhuma carta até o sábado à tarde, coisa que só aconteceu. Ainda no sábado à noite, começou a botar o plano B em execução: “Fiz uma carta pra mim mesmo. Primeiro, eu escolhi a música Vaca estrela e o boi fubá - Patativa de Assaré, gravada por Fagner e tantos outros, que conta a história daquele nordestino que vende os poucos bichinhos que tem e vai embora pra São Paulo, para melhorar de vida. A música já é triste e eu ainda procurei piorar a situação do rapaz na minha carta pra mim, que quem estava me escrevendo era a mãe do rapaz, Dona Maria Conceição da Silva - Zona Rural de Baraúna”.

Domindo à noite, saiu de casa com a mentira da carta toda arrumadinha. Até levou o CD de Fagner com a música. Ao chegar a rádio, o controlista Babau perguntou sobre o novo quadro, uma vez que queria umas orientações para preparar o emocional do ouvinte. Ele perguntou, por exemplo, se quando Sebastião estivesse lendo a carta, se a música já começava a tocar. “Respondi que não, a música só começa a tocar quando a pessoa que escreveu disser: "E a música que marcou a minha vida é!", aí você solta a música. Babau sugeriu um fundo musical, com uma música instrumental, para quando eu estivesse lendo a carta. Aceitei e me ferrei todinho”, realça Sebastião.

“Comecei o programa agradecendo aos milhares de ouvintes que escreveram do Brasil inteiro para o quadro “A música que marcou a minha vida”. Ainda disse que a carta escolhida pelos assessores do programa tinha sido a de Dona Conceição Maria da Silva e que os ouvintes que escreveram não ficassem tristes, pois, quem sabe, nos próximos programas estaremos lendo a sua carta.

Tudo pronto, e Babau soltou o fundo musical. Ia começar a leitura da carta triste de Dona Conceição. Logo de saída, a música instrumental deu uma mexida no meu emocional e a minha voz travou completamente, e eu caí no choro, lembrando a situação daquela pobre mãe, morta de saudade do filho distante.

A emoção não me deixou lê a carta de Dona Conceição e a culpa foi de Babau, que escolheu um fundo musical mais triste do que a carta que eu fiz.

Na segunda-feira, eu estava chegando ao Banco do Brasil do Centro, e uma ex-aluna minha, disse-me: Todos lá em casa, ontem à noite, choraram, quando o Senhor chorou com a carta de Dona Conceição. Pra melhorar a mentira da carta, eu ainda disse-lhe: É porque eu escolhi a carta mais bestinha, das milhares que o programa recebeu e muita gente me ligou pra dizer que chorou. Agradeci a minha décima quinta ouvinte e subi os degraus do banco, fazendo um ar de riso”.

2 comentários

Fátima disse...

Grande Gilberto..salve...salve ao mundo dos blogs..amigo precisa retratar aquela vez que as crianças quase que enterraram Chico Bigode vivo, se não fosse a intervenção do saudoso Toinho Rosado. Parábens pelo espaço.Fafá Sousa

xavier disse...

parabens amigo gilberto, vale muito resgatar essas coisas.