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Líderes da FIERN e Fecomércio lamentam a exclusão do RN


Apesar de considerado como “bem vindo”, diante da crise econômica no país, o plano de investimentos anunciado pelo governo Dilma frustrou lideranças empresariais potiguares. O estado não foi contemplado com nenhum dos projetos de concessões e investimentos nos setores de infraestrutura e logística. “O novo plano do governo federal deixa um gosto amargo para o Rio Grande do Norte”, resumiu o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Amaro Sales, que estava em Brasília para o anúncio das medidas.
Na análise de Amaro Sales, não foi só o RN que foi excluído, mas a região Nordeste é “mais uma vez, prejudicada nos projetos de grandes investimentos” previstos pelo governo federal. A concentração dos investimentos, ressaltou ele, está no Centro-Sul do país. Questionado se vê alguma possibilidade de ação que possa reverter a exclusão do RN, ele lembra que “temos um governador, um ministro e dois senadores que são da base aliada do governo Dilma”.
“Além do acesso político, temos bases sólidas para projetos que poderiam estar neste plano, como o estudo sobre o Mais RN”, acrescentou o presidente da Fiern.   Citando projetos que, através do plano de concessões, poderiam ter a continuidade assegurada, ele relacionou a duplicação da BR 304 e a revitalização dos ramais ferroviários entre a capital e as regiões centrais e o litoral norte do Estado. “Seria importante para a economia potiguar se a ferrovia entre Natal, Mossoró e Macau, com ramais que atendessem Porto do Mangue e o Seridó, áreas produtivas do Estado, fosse recuperada e reativada”, analisou Amaro Sales.
A avaliação do presidente da Federação do Comércio do Rio Grande do Norte, Marcelo Queiroz, é de que o anuncio do plano de concessões em logística pelo governo atende a uma expectativa sobre o necessário para a retomada do crescimento econômico do país. “Há algum tempo nós vimos afirmando que os governos, de uma maneira geral, precisam retomar os investimentos, assim como promover ajustes nos seus gastos com a máquina pública. Temos defendido esta postura como um dos caminhos mais acertados para revertermos definitivamente o quadro de retração da economia que vimos verificando. , disse ele.
Marcelo Queiroz ressalta que a perspectiva dos R$ 198 bilhões identificados no plano, anunciado ontem, “ainda que não venham diretamente do governo, mas, sim, através de concessões públicas”, serão recursos que vão circular na economia dos vários estados onde ocorrerão as concessões, “contribuindo para reaquecer a atividade econômica do país como um todo”. Ele também destacou o acerto do governo em priorizar a área de infraestrutura, na qual existem “severas carências que impactam diretamente na competitividade das empresas brasileiras”.
Para o presidente da Fecomércio/RN, resta esperar “o anúncio dos investimentos diretos do governo” e que, nesta outra etapa, o RN seja contemplado com as obras da BR 304 até Mossoró, incluindo a Reta Tabajara”.
Entre as lideranças políticas do RN no Congresso, a TN conseguiu contato com o senador José Agripino (DEM). Ele avalia que o anúncio das concessões foi feito com atraso de pelo menos quatro anos. O senador afirma que se o governo federal tivesse feito as concessões no tempo devido, teria evitado a crise que hoje o país e o Rio Grande do Norte enfrentam. “Trata-se de um factóide, porque não haverá um efeito imediato. Os resultados, se vierem, serão nos próximos cinco anos”.
Agripino considera que o mais grave é o Rio Grande do Norte ser esquecido até mesmo nesta lista de concessões que só foram apresentadas agora, depois que a crise se instala. “Nem assim lembraram do Estado”, lamenta José Agripino.
Ele afirma que a bancada federal deve se reunir e definir pelo menos um projeto que considere prioritário. Esse projeto de infraestrutura deverá ser levado ao governo federal para que seja incluído nos planos de concessão.

FONTE: TRIBUNA DO NORTE (10.06.2015)