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Agricultores potiguares buscam doações para projeto de reflorestamento da caatinga


No município de Caraúbas, região Oeste do Rio Grande do Norte, um grupo de agricultores capitaneado pelo advogado Canindé de Freitas busca doações na internet para alavancar um audacioso projeto de reflorestamento da caatinga potiguar. O projeto tem como carro-chefe a Moringa Oleífera, planta que chama a atenção do mundo devido ao seu gigantesco potencial econômico, nutritivo e medicinal.


O grupo defende que a população deve deixar de esperar por políticas públicas governamentais e assumir o protagonismo da luta contra as práticas irracionais no meio ambiente. “A população do nosso planeta tem a necessidade de assumir, com urgência, o protagonismo da luta contra as práticas irracionais de produção e manufatura que refletem negativamente nas mudanças climáticas. Infelizmente não podemos esperar por políticas públicas de geração de empregos, com critérios que respeitem a natureza, vindas da classe política brasileira. A grande maioria dos nossos representantes não tem nenhuma visão analítica sobre processos produtivos e, consequentemente, não sabe propor soluções nem muito menos construir resultados. Na verdade nossa classe política está focada em fazer conchavos visando seus interesses particulares”, defende Canindé de Freitas.



Freitas explica como foi chegada a conclusão de que esse é o caminho para o semiárido nordestino. “Analisando diversos projetos sociais e políticas públicas no Nordeste brasileiro, que não obtiveram êxito, e somado a fortes sentimentos de altruísmo é que resolvemos desenvolver um projeto que pudesse minimizar o desemprego em regiões remotas do semiárido nordestino sem agredir o meio ambiente. Embasado no pensamento de Dambisa Moyo, economista da Zâmbia, que alerta o mundo, em seu magnífico livro Dead Aid, dos perigos da “Ajuda Morta” é que estamos propondo soluções pragmáticas. Essa pensadora pede ao mundo que pare de ajudar os países africanos de forma errada e com outros objetivos e orienta que esses países devem buscar se desenvolver sem a interferência estrangeira”, explicou. 

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O advogado critica as políticas públicas existentes, a forma como algumas empresas do agronegócio tem explorado a atividade no Rio Grande do Norte, alerta sobre os riscos e defende a agricultura familiar como o caminho sustentável. “Aqui no Rio Grande do Norte a maioria das empresas de agronegócios que tem chegado como uma solução de geração de emprego e renda tem causado desmatamento, desertificação, contaminação do solo e da água nordestina com agrotóxicos e comprometendo nossas poucas reservas hídricas com o uso de grandes quantidades de água. É necessário fortalecer a agricultura familiar, indo ao encontro dos sonhos e das vontades dos sertanejos. Quantos milhares de sertanejos se endividaram comprando quites de irrigação para regiões onde não se tem água para agricultura irrigada? Quantos sertanejos se endividaram comprando gado de espécies que não se adaptam ao semiárido? Quantas perguntas sem respostas se pode fazer sobre modelos de produção inviáveis que foram impostos ao sertanejo? O sertanejo quer fazer agricultura familiar trabalhando com práticas agrícolas sustentáveis norteadas pela agroecologia” criticou.


Freitas defende com veemência o potencial da Moringa Oleífera. “De forma estratégica definimos que a Moringa Oleífera será a principal espécie vegetal, entre outras como gliricídia e algumas braquiárias resistentes à seca, a ser introduzida no enriquecimento da caatinga. A moringa, também conhecida como árvore da vida, não é uma planta com característica invasora, vive em perfeita protocooperação com outros vegetais, e é uma verdadeira fonte de soluções e de perspectivas: serve para alimentação humana e animal; cura do câncer e com outras propriedades medicinais; biodiesel com algumas características bem superiores as extraídas da soja; fonte de proteína para indústria de alimentos veganos; produz 80 toneladas de biomassa por hectare; rebrota na seca; produz lenha; produz azeite de moringa, mais palatável e nutritivo do que o azeite de oliva; polinizada principalmente por insetos tipo abelhas; e produz chá energético que substitui o café e o guaraná, entre outra infinidade de benefícios” defendeu.


O dossiê técnico do Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas (SBRT), elaborado por cientistas, embasa o projeto do grupo. Veja o que diz o documento: “A Moringa Oleífera está passando por uma série de descobertas e evoluções. Esta planta que serve do ramo de alimentos até o medicinal e conseguiu atingir uma popularidade em todo mundo, começa a revolucionar até a produção de combustível, com uma recente descoberta sobre a sua utilização na produção de biodiesel. Suas formas de cultivo são simples e não exigem muitas especificações, o seu crescimento é relativamente rápido e a adaptação é considerada boa, tornando a disseminação da moringa algo possível. O aproveitamento da planta é algo interessante, flores, cascas, sementes e folhas, todas possuem uma utilidade, servindo como fonte de alimento a seres humanos e animais, incluindo até o uso na limpeza da água. O que é mais interessante é a quantidade de propriedades presentes nessa planta, suas utilizações mesmo sendo modificadas de local a local, são atemporais e superam alimentos que antes eram ditos como ricos em determinados nutrientes. A cada dia, a moringa oleífera torna-se uma descoberta da natureza que supera expectativas e desperta a atenção e o olhar do mundo. Não é exagero acrescentar que a moringa oleifera tem sido eficaz no combate à obesidade e diabetes.”

Freitas explica como o grupo iniciará o desenvolvimento do projeto no Rio Grande do Norte. “De forma escalonada e seletiva escolheremos duzentos produtores que irão produzir camarão, via BFT, com o uso de água reciclada e irão custear o reflorestamento do semiárido com o bombardeamento de sementes e a doação de mudas. Custearão isso em troca de uma nova forma de monetização. A gente não tem dúvidas quanto ao enriquecimento da caatinga com a moringa oleífera. O Nordeste vai ser um grande produtor mundial de proteína animal e vegetal, de mel, de remédios homeopáticos, de biodiesel, de azeite e terá índices baixíssimos de desemprego em um horizonte não tão distante. Não podemos prever quantos empregos serão gerados com o reflorestamento do Nordeste, mas o certo é que serão muitos”, explicou.


Doações 

Para ir adiante a importante iniciativa depende de financiamento. A princípio o grupo está buscando doações na internet, onde uma campanha denominada “Bolsa Trabalho” pretende arrecadar R$ 700 mil reais através da plataforma Kickante. De qualquer parte do Brasil, simpatizantes podem doar de R$ 10,00 a R$ 5.000,00. Click  AQUI para saber mais.

Rede News 360
Imagens: Reprodução