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Impregnar informações com sensatez e sem pânico é essencial para enfrentamento



Por Gilberto de Sousa
Ilustração: Laércio Eugênio

Quando o mundo enfrenta uma pandemia sem precedentes como a Covid-19, aliada a um momento singular também na Era da Informação onde o acesso e a troca de referências e conhecimentos são ilimitados, se faz necessário lançar luz à sensatez como ponto de partida à reconstrução.

Não deixa de ser muito valiosa a incitação da pandemia ao despertar do conjunto de ideias e valores que emergem em cada um de nós, transluzindo ser muito maior a vocação da humanidade para a solidariedade e o amparo do que para a discórdia e a desavença.

E deve ser sustentada, nesses pilares do bem, a energia positiva que cada um pode oferecer para atravessarmos com serenidade essa vereda de trevas.

É de grande importância o compartilhamento de informações que orientem, ajudem de alguma forma ou sugiram. Fazer sempre a opção por informações oficiais e checagem antes de qualquer repasse é o lance. O momento é de harmonização. O ápice é o de impregnar com muita comunicação, mas com seriedade, fé, otimismo, esperança e sem pânico. O farol deve ser mais do que nunca a vida.

No mais, é ficar ao lado da ciência, mirar-se nos países que estão debelando o fogo do vírus com medidas de enfrentamento que se sobrepunha ao nervosismo da área econômica como a própria China e a Nova Zelândia, por exemplo.

Aprendemos com os nossos pais a base da máxima de que “vão os anéis e ficam os dedos” e que o que valem são “saúde e paz, e que o resto a gente corre atrás”.

A propósito, em outra ponta, deve ser observado que o novo coronavírus, que também estabeleceu uma onda de abalos ao setor financeiro global, não deve ser visto como mais uma crise econômica mundial simplesmente, mas uma crise de saúde que atinge o setor econômico por via de consequência.

Daí sua dinâmica e características próprias, diferentes da crise econômica de 1994 que estourou no México, o tal efeito tequila, causada pela falta de reservas internacionais ou a crise asiática de 1997, um descontrole monetário que começou na Tailândia com reflexo mundial, ferindo quase de morte o câmbio flutuante.

A Covid-19 difere igualmente da crise de 1998 que surgiu na Rússia com taxas crescentes de  endividamento ou a tão badalada crise do subprime nos Estados Unidos em 2007 e tantas outras  encaradas mundialmente e que em processo comum deixaram suas marcas.

No caso da Covid-19, a vida deve ser vista como absoluta prioridade. E a ciência tem realçado a cada dia a suma importância do distanciamento social como uma das principais e potentes armas de enfrentamento. Resta ao poder público cuidar com agilidade da sustentação financeira necessária para manter esse processo de isolamento.

E enquanto a tempestade passa, o compasso é esse, é seguir a sabedoria popular tão presente nesses dias: “Boa romaria faz quem em sua casa está em paz”.